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CD.MAFRA 0 - QUARTEIRENSE 1

VETERANOS

Chegou a data marcada para recebermos os amigos da cidade de Quarteira, famosa pelos seus peixes e mariscos frescos, vendidos logo pela manhã na lota sita junta ao porto de pesca, e bem assim pelas sua praia, que hoje em dia se encontra dividida pelos pontões construídos para evitarem a fuga das suas areias.

Ainda sou do tempo em que tais pontões não existiam e se podia observar um vastíssimo areal que era acompanhado por uma marginal onde de tantos e tantos metros, encontrávamos um bar ou um quiosque onde podíamos saciar a nossa sede, provocada pelo calor estival ou primaveril e saboreávamos uns caracóis ou uns camarões de Espinho e até alguma refeição ligeira.

Quarteira tem a sua origem no lugar de Carteia, que segundo estudos arqueológicos existiu desde 500 e tal anos AC até 1755, altura em que se deu o terramoto que originou um maremoto que a submergiu com o água do mar e nesta situação se encontra a cerca de 4 braçadas da costa, frente à actual cidade

Terra de marinheiros, consta da sua história a famosa batalha naval do Cabo Matapão, em que a esquadra portuguesa, composta por 4 barcos auxiliares e 10 navios de batalha, sendo deste 7 portugueses, comandada pelo ilustre almirante Lopo Furtado de Mendonça a bordo da nau “Nossa Senhora da Conceição”, (que após a recusa do Almirante francês Bellafontaine, de entrar na contenda com a sua frota de 28 naus), Decidiu abrir fogo contra os 54 navios otomanos, conseguindo o feito de apesar da sua diminuta frota, comparado com as forças Turcas, levar de vencida a batalha.
Note-se que ainda nos dias de hoje, a Nossa Senhora da Conceição é venerada de forma notável pelas gentes da Quarteira que lhe dedicam, todos os anos, uma procissão marítima cheia de religiosidade e significado.

Assim, esta batalha é por vezes vista como a marítima de “Aljubarrota”, embora com cenários, campos e adversários diferentes.

Que me desculpem os (poucos) leitores destes apontamentos, por este pequeno texto, retirado duma pequena divagação feita por mim, oralmente, na 3ª parte do encontro sobre a existência histórica e actual da terra da equipa que nos visitou, ao aperceber-me que até vários dos Quarteirenses que nos visitaram, desconheciam grande parte dos mesmos.

Na próxima época, caso continue a escrever estes apontamentos dos jogos e sempre que julgue oportuno, introduzirei alguns apontamentos idênticos a esta temática, sobre as diversas terras das equipas que nos visitem.

O jogo

Por motivos alheios à minha vontade e com muita pena, não me foi possível assistir à 1ª e 2ª parte do encontro pessoalmente, mas com base em informações recolhidas, aqui vai o que se me oferece escrever.

A empatia logo criada à chegada da equipa do Quarteira, que nos visitava pela 1ª vez, veio a reflectir-se no campo de jogo que decorreu com toda a lisura desportiva, que é afinal o que sempre desejamos e esperamos de todas as equipas, principalmente tendo como objectivo final, que nenhum dos intervenientes do jogo saia lesionado ou mesmo magoado fisicamente.

O encontro em si foi bastante equilibrado, dividindo-se a posse de bola e a procura do golo equitativamente para ambas as equipas, tendo o resultado final, pela diferença mínima, favorecido a equipa vinda do Algarve.

Registe-se para memória futura que o nosso Mano “Espalha Brasas” regressou à nossa equipa, depois de recuperado de uma lesão que o afastou por um período mais ou menos longo, embora a sua falta não se tenha notado muito, pelo menos nos convívios mútuos da rapaziada, pois o nosso João dos “Carcanhóis”, nesse campo, o tenha substituido à altura dos pergaminhos do original e peculiar, Mano.

Mais uma curiosidade:
O nosso D João V medalhou o Alm. Lopo Mendonça, pela obstinação com que combateu os piratas que com frequência atacavam as nossas naus vindas do Brasil, e aos Mafarricos deixou-nos o impotente convento que se ergue altivo e é visível à vista desarmada, a vários Km da sua edificação, enquanto o Velha Quarteira (Carteia) se encontra, ao contrário, submersa. Desta vez a malta algarvia colocou-nos e calou-nos com 1 “atum” debaixo de água, mas nós saloios, no dia 1 de Junho vamos visitá-los e responderemos a essa afronta nas suas terras do Algarve, oferecendo-lhes não um atum, mas sim vários sinos altaneiros com os respectivos badalos bem lá nos altos das torres.

3ª Parte

Se até aqui tudo tinha corrida da melhor forma, salvaguardando aquele mergulho com que os algarvios nos premiaram, mais não seria de esperar senão um salutar jantar composto de uma sopa de cação que estava esplêndida e dum bacalhau assado com batatas à murro, (note-se que os murros foram dados apenas nas batatas pois os nossos visitantes eram e são gente porreira e os saloios não gostam de andar aos murros, preferem dar coices a quem os merece) dentro de um ambiente de confraternização e companheirismo próprio de verdadeiros Veteranos.

Notas finais

Gostamos da rapaziada do Algarve e com alguma ansiedade aguardamos o próximo dia 1 de Junho, data em que os visitaremos e participaremos num torneio quadricular organizado pelos Veteranos da Quarteira, onde iremos animicamente fortalecidos do espírito de vitória do mesmo.

Um obrigado à rapaziada de QUARTEIRA pela simpatia e amizade que nos dedicaram, certos que tão depressa quanto o nosso calendário o permita e as condições o permitam, serão convidados a repetirem numa próxima época a fazerem parte do nosso calendário de jogos.

E já agora atalho de foice: FAÇAM O FAVOR DE SE DIVERTIREM, não esquecendo o nosso actual lema que é como sabem: SE A JUVENTUDE SOUBESSE E A VELHICE PUDESSE, meu Deus, como o mundo e todos seriam diferentes.

Ismael